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quarta-feira, 22 de junho de 2011

ROSA VERMELHA




Rosa Vermelha,
te vi, há pouco
e já fulguras,
me fazes louco.
Não há só paixão,
há alegria e tristeza,
tiras-me o pé do chão,
nesta tua singeleza.
Sabes que nesta vida,
sete vezes sete tivestes
muitas dores, aguerrida,
ventanias silvestres.
Até claudicastes, sorrindo,
em batalhas marciais.
De tudo pusestes por findo
e ristes, em mananciais.
Só tu, Rosa Vermelha,
balançando, de brincadeira,
Sussurando na minha orelha,
Fazes da minha vida verdadeira!

Romeu O. Gurgel,
Copacabana, 22 de junho de 2011.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Não é que seja saudosista, mas ...

Não é que seja saudosista, mas vi, hoje, a foto do meu primeiro carro, um lindo Gordini vermelho, com estofamento em preto.
Estávamos, ainda, na década de '60 e eu era bancário, época em que conheci um mineiro elegante chamado Lincoln, vendedor da Facit, máquina de calcular inovadora do mercado. O presidente da empresa também era presidente do Clube de Regatas do Flamengo.
Como não podia deixar de ser, o Lincoln, o Flamengo e o presidente Otto Ola Gunnar Gorason ("Seu" Gunar, como o chamavam), todos eram meus clientes no Banco.
Um dia, o Lincoln me questionou se tinha carro. Na negativa, zangou-se e me disse que não concebia um gerente de banco sem carro.  Disse-lhe que estava em vésperas de me casar e precisava montar, primeiro, minha casa e que o dinheiro não dava para tudo.
A solução veio no dia seguinte.
Chegou ele com o carro, meu primeiro carro e uma nota promissória com data de seis meses da data (estávamos no meio do ano) e me disse:
-"Seu" Gunar mandou vender o carro da esposa dele, dona Barbro, para você.  Está aqui a chave.  Assine a nota promissória e depois você vê como paga, daqui a seis meses, quando receber a gratificação do banco.
Não tive escolha, tornei-me um feliz proprietário de um lindo Gordini, quase novo.
Rindo, o Lincoln me disse que a dona Barbro só usava o carro para fazer feira... (a feira era quase na porta do prédio dela e dona Barbro, com tantas empregadas que tinha, jamais precisou ir à feira).
Os meses se passaram e o meu casamento chegava.
O dinheiro era pouco, embora meu salário não fosse dos piores.
Viajei para Itabirito, cheio de alegria, com meu primeiro carro, para felicidade de meus irmãos (ainda pequenos) que vibraram com a idéia de andar de carro.
Chegou o vencimento da nota promissória e, aí, acabou-se o que era doce.
Vendi o carro e paguei o preço.


Mas vale a pena lembrar!

sábado, 11 de junho de 2011

Solidariedade, respeito e humanidade!


Fui ao Banco, esqueci meu cartão na máquina eletrônica.
Recebi telefonema de um cidadão chamado Ícaro que me
deu seu endereço e contou que achou o cartão.
Corri ao local.
O porteiro Luciano recebeu-me com simpatia inusitada,
mandou-me sentar e interfonou ao Dr. Ícaro.
Desceu logo um jovem médico cirurgião plástico,
casado com uma otorrinolaringologista e,
sem sequer aceitar qualquer recompensa,
entregou-me o cartão e guardou meu
cartão de visitas, com respeito e simpatia.

O porteiro, de Campina Grande, o médico,
do Rio Grande do Sul, o local Copacabana,
onde eu, mineiro, vivo.

É muito bom saber que há pessoas sérias
neste mundo.

Obrigado! Que Deus multiplique pessoas assim.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Este sou eu...

Escolhi o verde como minha cor preferida, desde os tempos de criança, porque o verde é a cor predominante do União Sport Club, meu preferido, embora também frequentasse e admirasse o Itabirense e o Esperança.
Mas do União fui Diretor, do União foram meus maiores amores, todos jamais declarados, pela minha timidez e porque assim quis a vida.
O jeans que uso não modifica a cor da esperança de que todos vivam bem, felizes e contentes.
Digo felizes e contentes não por pleonasmo, mas por consciência de que a felicidade só pode realmente existir se houver contentamento.
É uma coisa como ouvir e escutar. Ser feliz e se contentar com a felicidade de ser feliz ...
Eu sou assim. Este sou eu.

Para Michelli

Não me importa o que tu queres,
Importa-me menos teus desejos.
Importa-me, sim, ver-te feliz,
ver-te linda, beijos... beijos.. beijos.

Saudades de ti, linda menina,
que abandonaste teu fã número um.
Mas que deixaste, sua traquina,
meu coração vazio, sem amor nenhum.

Estes versos são meus, de verdade,
pois fatos vêm desde o berço.
Tu, para mim, não és saudade,
és alegria de fato, és apreço.

Meus depoimentos no orkut voaram,
Todos se foram, apagaram.
Só um tem que vigir, repetir, sentir:
Teu sorriso é um brilho, é orvalho,
é choro que da árvore não pode cair.

O polvo



A ânsia de amar e ser amado,
a dúvida de querer e não poder.
Eram duas almas, lindas, puras.
No fundo, mais queriam compreender.

Por que? Por que? Por que?
O encontro se deu sem querer.
Ou querendo tudo, sem pensar.
O avião desceu, ela sem saber.

Ele, agitado, tudo cancelou.
Largou trabalho, compromissos.
Correu, o dia que chegou.

Linda, linda, maravilhosa.
Ela e ele, braços e abraços,
Pernas, sem cansaços,

Da simbiose que se sucedeu,
O amor de polvo aconteceu!

Romeu O. Gurgel, 15.3.2011

Carta a Telê Santana!


Caro Telê:
Quero, com humildade,
lhe dizer
que nasci na mesma cidade
onde nasceu você.

Um dia,
quando ainda em Itabirito
vivia,
tive prazer e alegria
de conhecer sua tia.

Era uma tarde triste
e minha mãe,
sofrida e abandonada,
encontrou na boa alma
(era dela afilhada)
consolo e calma.

Eu, triste infante,
minha irmã,
vestido vermelho, bufante,
estávamos famintos.
Procurar alimentos,
era de minha mãe o afã.

Na pequena cidade,
difícil é a procura,
quando, dentro da lisura,
uma mulher quer viver.
Dona Maria (Deus a guarde)
Amparou-nos, naquela tarde,
Não nos deixando sofrer.

Hoje, vindo de lá,
Reencontrei-o no Ipê.
Fiquei feliz, não por mim,
mas por Dona Maria
que tão bem criou você.

Lembro de Eurico Catuta,
zeloso e compenetrado,
contar sobre meu pai
que minha mãe tinha
abandonado.

Conterrâneo Telê,
a vida corrida
que o destino me impõe,
afastou-me da gente amiga,
mas meu respeito manteve,
agora, antes e depois.

Nesta hora sofrida,
que da Copa perdida,
choram todos brasileiros,
eu, com eles,
com você primeiro,
choro também.

De alegria,
pelo belo comportamento,
de você,
grande timoneiro,
condutor sereno,
que tudo fez de respeitoso
para que nosso “timão”
fosse compeão.

Mineiro tinhoso,
itabiritense de ferro,
se não trouxe a taça,
pouco importa.
Mostrou raça.
Mostrou graça.

No meu coração,
no de todos nossos irmãos,
quer do Brasil quer não,
fomos, somos e seremos sempre
- com você e como você –
o GRANDE CAMPEÃO.

Romeu Oliveira Gurgel, em
Copacabana, 6 de julho de 1982.
Nota do autor: Maria e Eurico Catuta, tios que criaram Telê. Minha mãe, Branca, era afilhada dela. O episódio da perda da Copa e de um dia de fome, eu e minha irmã crianças, amparados por Maria Catuta. Eurico Catuta e meu pai, Vicente, eram b arbeiros.em>