Corri para o trabalho,
enfrentei trânsito e frio.
Cheguei cedo, na mesa,
processos, embaralho.
Ligo o computador.
Não liga, que galho.
Chamo o consertador,
não chegou no trabalho.
Rascunho a mão,
com carinho e
chamo, mancinho,
o boy, ou sacristão.
Não chegou, também no labor,
nem a secretária chegou,
nem o homem do computador,
ninguém, ninguém chegou.
Ah, o computador ligou,
enfim, posso trabalhar,
começo a digitar e
puff ... saiu do ar.
Muito frio, no Rio.
No rio, também é frio.
Menos, obvio, no estio.
Por ora, faz frio no Rio.
Não adianta cedo chegar,
pois se quiser trabalhar,
pessoas vão atrapalhar.
Melhor em casa ficar...
O MENINO DE ITABIRITO NÃO SE AFASTA DE SUAS LEMBRANÇAS. MAS VIVE, COM INTENSIDADE, NO LOCAL QUE ESCOLHEU PARA SUA RESIDÊNCIA, A COPACABANA, PRINCESINHA DO MAR, BELA COM SUAS BELEZAS. ULULANTE E COSMOPOLITA. SEU PENSAMENTO, A ENORME LEMBRANÇA E A IMAGINAÇÃO FÉRTIL SÃO OS INGREDIENTES DE SUAS ESTÓRIAS E HISTÓRIA, CONTADAS COM SENTIMENTO.ITABIRITO É SUA ORIGEM. COPACABANA SUA RESIDÊNCIA. O MUNDO É SEU QUINTAL.
terça-feira, 5 de julho de 2011
domingo, 3 de julho de 2011
SUSTENTAR UM RECURSO NO TRIBUNAL
Sobre este assunto, há muito que falar, muito para contar.
Semana passada, perante o Conselho de Magistratura, sustentei uma apelação contra sentença monocrática do Juízo da Vara de Registros Públicos.
Após minha fala, um ilustre Desembargador pediu vista do processo.
Assim, não se trata de comentar o resultado, mas de remontar épocas distantes, quando iniciava no exercício da advocacia.
Fui sustentar um habeas corpus para trancar uma ação penal, no Tribunal da Praça João Mendes, em São Paulo.
Era a primeira vez.
Quando acessei o prédio histórico, já estava suficientemente nervoso, pois sabia que se não fosse feliz, praticamnte já estaria meu cliente condenado.
Ao ver o luxo e a beleza da construção, dos móveis, estava bastante estarrecido, quase que abobalhado.
Pisei um enorme e fofo tapete vermelho para chegar ao local.
Sentei-me, próximo da primeira fila, para facilitar meu acesso.
Quando foi anunciada minha fala, levantei-me e, confesso, quase me sentei de novo, tão grande era o tremor de minhas pernas.
Consegui falar, não sei como e, não sei como, a ordem foi deferida por unanimidade.
Graças a Deus!
Outra feita, fiz minha primeira sustentação oral no S.T.J. e comecei assim: Senhores Ministros, venho a Brasília pela primeira vez e, ao ver a magnitude desta Casa, sinto-me como meu ilustre conterrâneo que tudo aqui começou, o querido Presidente Juscelino Kubtscheck de Oliveira, quando vislumbrou todo este planato.
Era época do Governo Militar e J.K. estava no exílio.
Consegui meu intento, quanto ao processo, e, após o expediente, um abraço comovido de um ministro mineiro que me disse ansiar pelo retorno do direito e da liberdade.
Mas há também aquela história que se passou num desses nossos tribunais e que me reservo não dizer qual.
Aberta a sessão, apregoado o primeiro processo, dois desembargadores, rostos avermelhados pelo vinho que havia saboreado no almoço, iniciaram uma discussão acadêmica acalorada sobre determinado artigo do código processual.
- Você Excelência sabe ler? Não? Pois leio eu...o artigo é claro e é assim...
O Presidente, visivelmente irritado, suspendeu o julgamento, pediu a evacuação da sala, para um recesso de cinco minutos.
Não sei o que se seguiu no Tribunal, mas no retorno dos trabalhos, os desembargadores que discutiam não se encontravam presentes.
Devem ter ido curtir a ressaca em tribunal mais apropriado, como o botequim da esquina...
terça-feira, 28 de junho de 2011
MUITO FRIO NO RIO
Não é pilhéria.
É verdade.
Foi a empregada quem disse,
foi o ascensorista,
foi o taxista.
Será que está frio em Itabirito?
Será que há friagem no espírito?
Há tristeza na alma,
há risos de fingimento.
Nada existe, sem tormento.
Mas, afianço-lhe, juiz,
não mais aguento,
tanto julgado infeliz.
Mas, há muito frio, no Rio.
Há muitos mortos no frio,
há geada, há pelada, há marmelada,
há empada e, na festa, cocada.
Pelada que é futebol
Marmelada que é embuste,
Frio no rio, com sol.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
POR TRÁS DAS GRADES ou A VERGONHA DE SER ADVOGADO
POR TRÁS DAS GRADES
ou
A VERGONHA DE SER ADVOGADO
É comum, para mim, ouvir queixa da Justiça, da morosidade, da falta dela, sempre que o meu anel de grau identifica minha profissão ao motorista que me conduz ao Tribunal.
O taxista, gente como toda gente desta grande metrópole, tem aquela história dos juros altos, da pensão alimentícia, do despejo por falta de pagamento, da mulher que diz ter sido agredida e, invocando a famigerada Lei Maria da Penha, consegue o afastamento do marido trabalhador do lar.
Por ter o hábito de não andar no banco de trás, dialogo com todos, sempre procurando dar uma orientação sadia e correta, para que a imagem seja melhorada e que a deusa Themis não caia daquele enorme pedestal lá no Palácia da Justiça.
A história que ouvi, ontem, entretanto, deixou-me com vergonha de ser advogado.
Disse aquele senhor, de mais de sessenta anos, semblante triste, olhos sem brilho:
- Doutor, sou pai feliz de cinco filhos, que fiz estudarem e, todos, graças a Deus, terminaram seus cursos universitários.
Todos são trabalhadores, bem sucedidos, casados e até tenho quatro netos, pois apenas um de meus filhos ainda não é papai.
Meu caçula, Doutor, nasceu e foi criado no mesmo lugar onde ainda tem seu domicílio, casado há menos de dez anos e com uma linda filhinha, minha neta, de sete anos. Sua esposa, minha nora, é trabalhadora também e exerce função importante numa rede de lojas. Meu filho, Doutor, é um homem bom, carinhoso, dedicado à família, pai amoroso, daqueles que idolatra a filha, levando-a, desde pequenina, à creche, depois à escola e ansiando por ir buscá-la de volta, naqueles quinze dias que fica em terra. Ah, não disse para o Senhor que ele trabalha numa plataforma de petróleo. Disse?
Pois, Doutor, há um ano e meio atrás, meu filho estava num churrasco de aniversário do pai de um seu amigo, de onde só saiu por volta das vinte horas. Por volta das dezenove, nas redondezas de onde mora, ocorreu uma tentativa de homicídio contra um bandido, sendo que no tiroteio um adolescente curioso recebeu bala perdida e morreu.
O Senhor nem imagina, Doutor, a vítima sobrevivente, um estelionatário com não sei quantos crimes, acho que mais de quinze, foi à Delegacia e disse para a autoridade que viu quem tentou matá-lo. Sabe quem, Doutor? Meu filho.
Pois é, daí começou uma série grande de mentiras e injustiça. Meu filho foi preso, mais de um mês depois, sob o pretenso fundamento de que fora o autor da tentativa do homicídio e da morte acidental do adolescente. Ele e mais um outro cidadão, ambos denunciados pela vítima sobrevivente que contou uma mentira horrorosa contra meu filho, dizendo que tinha inveja dele por ter namorado a minha nora. Nunca aconteceu e o mesmo cidadão, se é que se pode chamar aquele indivíduo de cidadão, desmentiu a própria estória em Juízo.
Doutor, aprendi um monte de nomes de prisões, tem provisória, tem preventiva e nem sei mais o que.
Aprendi que a Constituição garante a um cidadão de bem defender-se de uma acusação formal em liberdade.
Mas não deram esse direito ao meu filho que sofre, até agora, com a mentira contada contra ele.
Doutor, eu quero que meu filho seja julgado e, se for condenado, pelo júri, que ele cumpra a prisão, mas, Doutor, por que não dão a ele o direito de responder ao processo em liberdade? Por favor, Doutor, me explique isso, por que?
Anotei o nome do filho do motorista, seu telefone e, como chegava ao Tribunal, prometi ligar-lhe, mais tarde, assim que pudesse examinar o processo, mesmo superficialmente, através do sítio do Tribunal na Internet.
Não sou criminalista, ramo do direito que abandonei logo nos primeiros anos do exercício da profissão, em que pese a tenha iniciado com um dos maiores juristas de todos os tempos, honra dos tribunais de nosso Estado.
A tristeza daquele pai, a certeza que ele me transmitiu quanto à seriedade de seu filho e da sua educação, fez-me interessar pelo caso.
Passei as páginas da Internet com avidez e não achei, no resumo que o Tribunal apresenta, razão do aprisionamento.
Não me contive.
Fui à Comarca do processo penal e passei toda uma tarde, folheando quase mil páginas de um processo crime.
O fato se deu no Natal de 2009 e, até agora, o Juízo prevento não exerceu possível retratação quanto à pronúncia e não fez subir ao Tribunal de Justiça o recurso em sentido estrito que foi interposto.
O crime tentado houve, o homicídio do adolescente que se expôs, curioso, também. Não há sequer uma única afirmação das vinte e três testemunhas ouvidas em Juízo quanto à autoria do jovem preso, senão a esdrúxula afirmação de seu acusador que assim descreveu:
“Vi que foi ele, a cerca de cinqüenta metros, quando saltou da motocicleta e passou a atirar em minha direção. Reconheci seu colar de ouro e, quando tropecei e caí, pensando que estava morto, vi que ele levantou o capacete de motoqueiro e foi embora.”
Qual o homicida que não dá o último tiro para se certificar da morte? Qual o bandido que se identifica mostrando o rosto para alguém caído ao chão, vítima de um tiro seu?
Pois é, o Juízo acreditou nesta estória e o jovem pai de família está preso, segregado da sociedade e por trás das grades, longe dos beijos de sua filhinha que pensa que o papai está trabalhando num mar muito longe...
Estou sentindo vergonha de ser advogado, por não ver a prevalência do Direito e prevalecer a injustiça.
Romeu Oliveira Gurgel,
Copacabana, 24 de junho de 2011.
quarta-feira, 22 de junho de 2011
ROSA VERMELHA
Rosa Vermelha,
te vi, há pouco
e já fulguras,
me fazes louco.
Não há só paixão,
há alegria e tristeza,
tiras-me o pé do chão,
nesta tua singeleza.
Sabes que nesta vida,
sete vezes sete tivestes
muitas dores, aguerrida,
ventanias silvestres.
Até claudicastes, sorrindo,
em batalhas marciais.
De tudo pusestes por findo
e ristes, em mananciais.
Só tu, Rosa Vermelha,
balançando, de brincadeira,
Sussurando na minha orelha,
Fazes da minha vida verdadeira!
Romeu O. Gurgel,
Copacabana, 22 de junho de 2011.
quinta-feira, 16 de junho de 2011
Não é que seja saudosista, mas ...
Não é que seja saudosista, mas vi, hoje, a foto do meu primeiro carro, um lindo Gordini vermelho, com estofamento em preto.
Estávamos, ainda, na década de '60 e eu era bancário, época em que conheci um mineiro elegante chamado Lincoln, vendedor da Facit, máquina de calcular inovadora do mercado. O presidente da empresa também era presidente do Clube de Regatas do Flamengo.
Como não podia deixar de ser, o Lincoln, o Flamengo e o presidente Otto Ola Gunnar Gorason ("Seu" Gunar, como o chamavam), todos eram meus clientes no Banco.
Um dia, o Lincoln me questionou se tinha carro. Na negativa, zangou-se e me disse que não concebia um gerente de banco sem carro. Disse-lhe que estava em vésperas de me casar e precisava montar, primeiro, minha casa e que o dinheiro não dava para tudo.
A solução veio no dia seguinte.
Chegou ele com o carro, meu primeiro carro e uma nota promissória com data de seis meses da data (estávamos no meio do ano) e me disse:
-"Seu" Gunar mandou vender o carro da esposa dele, dona Barbro, para você. Está aqui a chave. Assine a nota promissória e depois você vê como paga, daqui a seis meses, quando receber a gratificação do banco.
Não tive escolha, tornei-me um feliz proprietário de um lindo Gordini, quase novo.
Rindo, o Lincoln me disse que a dona Barbro só usava o carro para fazer feira... (a feira era quase na porta do prédio dela e dona Barbro, com tantas empregadas que tinha, jamais precisou ir à feira).
Os meses se passaram e o meu casamento chegava.
O dinheiro era pouco, embora meu salário não fosse dos piores.
Viajei para Itabirito, cheio de alegria, com meu primeiro carro, para felicidade de meus irmãos (ainda pequenos) que vibraram com a idéia de andar de carro.
Chegou o vencimento da nota promissória e, aí, acabou-se o que era doce.
Vendi o carro e paguei o preço.
sábado, 11 de junho de 2011
Solidariedade, respeito e humanidade!
Fui ao Banco, esqueci meu cartão na máquina eletrônica.
Recebi telefonema de um cidadão chamado Ícaro que me
deu seu endereço e contou que achou o cartão.
Corri ao local.
O porteiro Luciano recebeu-me com simpatia inusitada,
mandou-me sentar e interfonou ao Dr. Ícaro.
Desceu logo um jovem médico cirurgião plástico,
casado com uma otorrinolaringologista e,
sem sequer aceitar qualquer recompensa,
entregou-me o cartão e guardou meu
cartão de visitas, com respeito e simpatia.
O porteiro, de Campina Grande, o médico,
do Rio Grande do Sul, o local Copacabana,
onde eu, mineiro, vivo.
É muito bom saber que há pessoas sérias
neste mundo.
Obrigado! Que Deus multiplique pessoas assim.
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